sábado, 9 de dezembro de 2017

Por reforma da Previdência, governo avalia perdoar traidores



Em troca de apoio para a reforma da Previdência, o presidente Michel Temer estuda devolver cargos aos deputados que foram punidos por votar contra o governo nos últimos meses.

O Palácio do Planalto e líderes da base governista vão mapear parlamentares que tiveram aliados demitidos da máquina federal depois que votaram contra a reforma trabalhista ou a favor do prosseguimento das denúncias apresentadas contra o presidente, após a delação de executivos da JBS.

O governo quer renegociar os postos e oferecer esses espaços de volta aos deputados que se comprometerem a votar a favor das mudanças na Previdência ainda neste ano.

O Planalto passou a estudar essa estratégia depois que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse a Temer que as retaliações prejudicaram o ambiente de negociações. Maia sugeriu que o governo reavalie a distribuição desses cargos para captar os votos necessários.

Temer está disposto a reforçar essas negociações e acredita que, assim, pode convencer até 30 deputados que hoje se dizem indecisos ou contrários à proposta.

A conquista de votos a partir de agora deve se concentrar principalmente na distribuição de cargos e na liberação de verbas em troca de apoio para a proposta.

A equipe de Temer fará um pente-fino para destravar emendas parlamentares que foram liberadas ao longo do ano, mas que não foram efetivamente pagas.

Nos últimos dias, deputados governistas têm reclamado que os montantes prometidos para barrar as duas denúncias contra o presidente não chegaram à ponta.

Temer também disse a aliados que vai agilizar o repasse de R$ 1,9 bilhão aos Estados por meio de um fundo de auxílio a exportações. Ele ainda se comprometeu com a bancada mineira a liberar R$ 250 milhões ao Estado para a saúde e R$ 350 milhões para obras da BR-381.

Apesar das promessas de liberação de verba e da aprovação de medidas que ampliam os gastos públicos, o ministro Dyogo Oliveira (Planejamento) afirmou que o governo não colocará em risco as contas de 2018 em troca da reforma da Previdência.

"Temos o Orçamento no teto e uma meta [de deficit fiscal de R$ 159 bilhões] a cumprir. Elas limitam a concessão de benefícios." Com informações da Folhapress.




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