quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

'Dor muito grande. Não vai ficar impune', diz mãe das vítimas após absolvição da médica Kátia Vargas




Marinúbia Gomes, mãe dos irmãos Emanuele e Emanuel Gomes Dias, de 22 e 23 anos, mortos em um acidente que teria sido provocado pela médica Kátia Vargas, no bairro de Ondina, em Salvador, em outubro de 2013, falou com a imprensa após o júri popular do caso, que começou na última terça (5) e terminou nesta quarta (6), e que absolveu a acusada.

A família das vítimas deixou o Fórum Ruy Barbosa, no bairro de Nazaré, quando a juíza Gelzi Maria Souza solicitou que todos saíssem do plenário, antes de proferir a sentença. Do lado de fora, Marinúbia criticou a decisão. "Ela foi inocentada ninguém sabe como. A luta continua. A justiça não foi feita. Continuo acreditando na Justiça. É uma dor muito grande. Não vai ficar impune", afirmou.

Contudo, mesmo com a decisão desfavorável, ela agradeceu pela realização do julgamento. "Lutei quatro anos pelo júri popular e agradeço a Deus, hoje, por ter conseguido o que várias pessoas não conseguem", acrescentou Marinúbia.

Apesar da absolvição de Kátia Vargas, a promotoria disse que vai recorrer. Marinúbia também falou sobre o futuro recurso. "Deus está no controle. Cabe recurso. Eu vou recorrer através do Ministério Público e dos meus advogados. Eu não lutei quatro anos para nada. Continuarei lutando", disse.

Julgamento




O júri popular de Kátia Vargas começou na última terça-feira (5) e foi marcado por comoção com fotos do acidente, contestação de testemunhas e ré cabisbaixa. Nesta quarta-feira (6), o segundo dia de sessão começou com o interrogatório da médica, que negou ter batido o carro na moto onde estavam as vítimas.

Depois do interrogatório, foi feito um intervalo para o almoço. No retorno, foram feitas as argumentações da acusação e da defesa.

Durante toda a sessão desta quarta, Kátia Vargas se mostrou exausta e abatida. Em um dos momentos mais fortes do interrogatório da médica, quando ela falou como vive atualmente, e disse que a dor da mãe das vítimas era insuperável, ela desabou no choro. Após o interrogatório, Kátia Vargas retornou à cadeira de ré chorando muito. Ela permaneceu de cabeça baixa durante quase todo o tempo.

Após as argumentações da acusação e defesa, a juíza convocou os jurados para a sala secreta, onde eles tiveram que responder sete questionamentos em uma cédula: as respostas poderiam ser sim ou não. Os votos, secretos, foram depositados em urnas. A decisão pela absolvição foi proferida por volta das 19h45.

Na decisão consta que: "Submetida, nesta data, a julgamento perante o Egrégio Tribunal do Júri, o Conselho de Sentença, nos termos do art. 489 do CPP, decidiu, por maioria de votos, conforme Termo de Votação anexo, que a acusada não praticou crime de homicídio qualificado, pelo motivo fútil, perigo comum e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, por duas vezes, em relação às vítimas Emanuel Gomes Dias e Emanuelle Gomes Dias, ao negar a autoria.

A sentença é finalizada dizendo que: "Em face de tal deliberação, julgo improcedente a Ação Penal para ABSOLVER KÁTIA VARGAS LEAL PEREIRA das imputações constantes destes autos, tendo como vítimas Emanuel Gomes Dias e Emanuelle Gomes Dias. Considerando a decisão de absolvição, revogo as medidas cautelares impostas às fls. 692".






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