segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Serra avisa PSDB que pensa em concorrer ao governo de SP em 2018



Apontado como carta fora do baralho após ser atingido pela Lava-Jato, o senador José Serra (PSDB-SP) está de volta ao jogo eleitoral de 2018. O tucano comunicou há cerca de dez dias a algumas lideranças do partido em São Paulo que vai tentar viabilizar sua candidatura a governador. Na noite desta segunda-feira ele será o convidado de honra de um jantar organizado por deputados estaduais de diversas legendas.

A articulação de uma candidatura do senador ganhou terreno nas últimas semanas com o enfraquecimento político do prefeito João Doria (PSDB), que está às voltas com queda de popularidade, inimigos no partido e medidas erráticas na prefeitura. Com a vaga de presidenciável ameaçada, Doria começou a cogitar lançar-se para o governo paulista. Mas a má fase do prefeito passou a ser vista por entusiastas de uma candidatura de Serra como oportunidade de recuperação de espaço político.

Para sondar a receptividade de sua postulação, Serra tem se reunido com prefeitos paulistas e lideranças partidárias. Um dos encontros foi organizado em outubro pelo ministro Gilberto Kassab, presidente do PSD e amigo do senador desde quando foi vice dele na prefeitura paulistana, entre 2005 e 2006. Kassab vê numa ascensão do tucano a chance de retornar ao poder em São Paulo, como vice-governador ou até mesmo senador.

Nessas sondagens, Serra não se apresenta como candidato, mas analisa cenários para a sucessão estadual e sinaliza estar aberto à disputa. Antes de começar a se movimentar, o tucano foi até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comunicá-lo do novo plano.

— Ele está andando por aí e fazendo reuniões para tentar ser candidato. É um dos gestores mais preparados do Brasil e tem tudo para ser candidato. Se tiver mais de um interessado, fazemos prévia — afirmou o presidente do PSDB de São Paulo, deputado Pedro Tobias, também procurado por Serra.

O PSDB tem hoje quatro nomes para a vaga de candidato a governador: Serra, Doria (caso seja preterido para presidenciável), o secretário estadual de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, e o cientista político Luiz Felipe D'Avila, genro do empresário Abílio Diniz.

ALTOS E BAIXOS DE UMA CANDIDATURA DE SERRA


Se a construção de um arco de alianças não é motivo de preocupação para os articuladores de Serra, o mesmo não pode ser dito da situação dele na Lava-Jato. O senador é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de recebimento de caixa 2 da Odebrecht e do grupo JBS. Ele nega as acusações.

Serra tem emitido sinais contrários sobre o tema. Há cerca de dois meses, ele colocou essa questão a alguns interlocutores como impeditiva para uma candidatura, alegando que, na condição de investigado, poderia passar a eleição toda tendo que se explicar das acusações. Já outros aliados relataram ao GLOBO que o senador ficou abalado com as investigações logo no início, mas que ultimamente não tem manifestado preocupação.

— A gente sabe que esses casos tramitam muito lentamente no Supremo. Dificilmente esses inquéritos vão avançar a ponto de inviabilizá-lo na eleição — avaliou um tucano do círculo político do senador.

Lideranças de outros partidos que estão sendo procuradas pelo grupo de Serra apontam uma segunda fragilidade do tucano:

— Há uma preocupação com a viabilidade eleitoral dele. Ele está muito associado ao político tradicional. Não sabemos até que ponto esse perfil será rejeitado nas urnas no ano que vem — ponderou um presidente de partido no estado.

Há tucanos que acreditam que Serra esteja usando uma pré-candidatura ao governo para negociar espaço político no partido:

— Acho que ele ainda não desistiu de ser candidato à Presidência da República — disse um ex-secretário de Serra na prefeitura.

Antes de eleger-se senador em 2014, Serra perdeu a eleição para a prefeitura de São Paulo em 2012, para Fernando Haddad (PT). Também disputou duas vezes para presidente (2002 e 2010) e perdeu. Ganhou as disputas para prefeito, em 2004, e governador, em 2006.

Sem precisar se afastar do Senado para concorrer a governador — ele ainda tem quatro anos de mandato — Serra tem o tempo a seu favor. Isso é uma vantagem porque não precisará tomar uma decisão tão cedo sobre uma candidatura. Já Doria terá que deixar a prefeitura até abril, se quiser concorrer a eleição.

Serra deixou em fevereiro o ministério das Relações Exteriores, alegando problemas de saúde. Isso aconteceu meses antes da abertura de inquéritos contra ele na Lava-Jato. Amigos dizem hoje que ele está bem e disposto para encarar uma maratona eleitoral. As queixas de dores nas costas sumiram e, para a perda progressiva de audição, passou a usar um aparelho no ouvido.

O que não tem solução, dizem aliados, é a relação entre ele e Doria. Um arranjo político entre os dois para a sucessão estadual é considerado quase impossível. O prefeito é inimigo declarado de Serra.

É uma incógnita quem seria o candidato preferencial do governador Geraldo Alckmin, que tenta se lançar à Presidência, para a sua sucessão no Palácio dos Bandeirantes.

SAÍDA DO PSDB


Há tempos Serra anda desgostoso com os rumos do PSDB nacional. Ele chegou a dizer num encontro com amigos recentemente que, se o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) for eleito para a presidência do partido em dezembro, ele deixaria o PSDB.

— Não sabemos se dá para levar isso a sério porque o que é dito no calor do momento nem sempre se cumpre. Mas que ele disse, ele disse — confidenciou um amigo do senador.

Serra recebeu convite de filiação do PSD e do PMDB. Aliados avaliam ser uma decisão difícil uma saída do PSDB porque nenhuma das duas siglas garantem estabilidade ao senador. No PSD, Serra teme ser rifado em nome de uma aliança de última hora mais conveniente ao partido, seja para disputar a Presidência como o governo paulista. No PMDB, a desconfiança é com os demais caciques da sigla. Por duas vezes Temer convidou Serra para ser candidato ao Planalto em 2018.

— Se Temer mandasse sozinho no partido, ele já teria ido. Mas o PMDB é um partido com muitos donos, não há garantia de que teria a legenda para disputar — contou um integrante do grupo de Serra no PSDB.

O GLOBO procurou o senador, mas ele não quis falar sobre sua pré-candidatura.




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