terça-feira, 7 de novembro de 2017

"Paradise Papers" expõem relação de ricos com paraísos fiscais



Um enorme arquivo com 13,4 milhões de documentos sobre empresas em paraísos fiscais, vazado de uma consultoria nas Bermudas e uma empresa em Cingapura, foi revelado neste domingo (05/11) pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung.

Chamado "Paradise Papers", em alusão aos "Panama Papers", o arquivo mostra as "profundas relações" do sistema de empresas offshore em paraísos fiscais com o mundo político, os ricos e as grandes corporações internacionais, afirmou o Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (ICIJ), que analisou as informações em parceria com o Süddeutsche Zeitung e mais 94 órgãos de comunicação. A análise durou cerca de um ano.

Os arquivos expõem os investimentos e as atividades offshore de mais de 120 políticos e líderes de quase 50 países, além de personalidades do mundo dos esportes e do negócios. Segundo o Süddeutsche, a maior parte das informações vêm da empresas de consultoria Appleby, que foi fundada nas Bermudas e tem escritórios em vários locais. Entre os clientes da Appleby estão o Citigroup, o Bank of America, a Apple, a Uber e a Nike e também várias empresas alemãs, como Sixt, Deutsche Post/DHL, Siemens, Allianz e Deutsche Bank.

Henrique Meirelles e Blairo Maggi


O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), é beneficiário final de uma companhia aberta nas Ilhas Cayman em 2010 pela sociedade firmada entre uma de suas empresas e a gigante holandesa Louis Dreyfus, afirmou o site Poder360, do jornalista Fernando Rodrigues, que participou da análise dos dados. Maggi negou irregularidades.

Já o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, criou uma fundação nas Bermudas para gerir sua herança, chamada Sabedoria Foundation, informou o Poder360. Meirelles enviou cópia de sua declaração de imposto de renda ao site, para provar que sua fundação foi declarada e é legal.

Ter uma empresa offshore não é crime, desde que a existência dela e todas as contas bancárias associadas a ela sejam comunicadas à Receita Federal. Apesar de serem legais, empresas offshore costumam ser usadas para práticas ilegais, como a sonegação fiscal e evasão de divisas.

Wilbur Ross


A investigação descobriu laços comerciais entre membros do governo do presidente Donald Trump e a Rússia, com foco no secretário de Comércio, Wilbur Ross. Ele é acionista da companhia de navegação Navigator, que tem relações com um empresário russo que foi alvo de sanções por Washington e com um genro do presidente Vladimir Putin.

Apesar de ter vendido outras participações comerciais antes de se unir ao governo Trump, Ross manteve suas ações da Navigator, afirmou o New York Times, um dos órgãos da imprensa internacional que participaram da investigação. Ross é um dos principais acionistas da Navigator, que fechou contratos de mais de 68 milhões de dólares com a empresa russa de energia Sibur desde 2014.

Entre os principais acionistas da Sibur estão Leonid Michelson, um aliado de Putin que controla outra empresa de energia sancionada pelo governo americano, Gennady Timchenko, que também foi alvo de sanções pelos EUA, e Kirill Shamalov, que é casado com a filha mais nova de Putin.

Além de Ross, vários conselheiros, membros da equipe e doadores de campanha de Trump aparecem nos arquivos, afirmou o Süddeutsche Zeitung.

Gerhard Schröder


Os dados do "Paradise Papers" também mostram que o ex-chanceler federal alemão Gerhard Schröder teve um cargo administrativo numa empresa offshore.

Em 2009, ele integrava o chamado "comitê independente de supervisão" da empresa russo-britânica TNK-BP, segundo os documentos. Essa joint venture entre a petrolífera britânica BP e a russa Alfa-Group tinha sede na Ilhas Virgens Britânicas, como várias outras joint-ventures do setor petrolífero.

Schröder e mais duas pessoas do comitê contactaram a Appleby "sobre certos procedimentos de negócios pelas leis das Ilhas Virgens", segundo e-mail de um advogado britânico de outubro de 2011. A Appleby disse que não poderia ajudar por causa de um conflito de interesses com outro cliente. Em dezembro de 2011, Schröder deixou o cargo. Em 2013, a TNK-PB foi incorporada pela petrolífera russa Rosneft, na qual Schröder foi eleito, há algumas semanas, presidente do conselho de administração.

Rainha Elisabeth


Segundo a BBC e o Guardian, o arquivo revela que cerca de 10 milhões de libras do dinheiro privado da rainha Elizabeth foram investidos nas Ilhas Cayman e Bermudas. O patrimônio dela é de 500 milhões de libras.

A BBC observou que "não há nada de ilegal nos investimentos nem sinais de sonegação fiscal, mas podem surgir questões sobre por que a monarca esteja fazendo investimentos offshore".

Ainda segundo a emissora, há pequenos investimentos na empresa BrightHouse, que foi acusada de explorar pessoas pobres. O Ducado de Lancaster, que administra o patrimônio da rainha, afirmou não estar envolvido em decisões tomadas por fundos, e, segundo a BBC, nada indica que a rainha saiba sobre investimentos específicos feitos em seu nome.





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