terça-feira, 19 de setembro de 2017

“Os Dias Eram Assim” prometeu muito e cumpriu pouco



Chegou ao fim na noite desta segunda-feira (18) um dos produtos mais controversos da história recente da dramaturgia global. “Os Dias Eram Assim” não fez feio nos índices de audiência – ao contrário: na Grande São Paulo, fechou com média geral de 21 pontos, a maior já atingida na faixa desde sua ativação, em 2011. No entanto, a obra das estreantes Ângela Chaves e Alessandra Poggi derrapou em pontos fundamentais de sua construção, da retratação histórica ao desenvolvimento do enredo, que fizeram a diferença – negativa – no resultado final.

Quem esperava uma trama política já se decepcionou de cara: a puerilidade da retratação da Ditadura Militar já deixou claro, logo nas primeiras semanas, que esse período tão rico e complexo da história do país seria mero pano de fundo do amor impossível entre Alice (Sophie Charlotte) e Renato (Renato Góes) – bem mais ao estilo do horário das seis da tarde, para o qual o argumento fora escrito inicialmente.

Feita (ou desfeita) essa primeira impressão, a narrativa foi se desenrolando a partir daí de forma morna e açucarada, longe da ousadia que marcou outras produções da faixa. Era, na mais benevolente das análises, uma trama “correta”, que conseguia requentar o mais do mesmo da cartilha folhetinesca sem perder de vista a agilidade. No entanto, mesmo o público que não esperava nada além do básico teve sérios motivos para se decepcionar, a partir da segunda metade da história, quando Alice descobre que a morte de Renato, seu grande amor, não passara de uma mentira para separá-los.

Desse ponto em diante, trama dos protagonistas simplesmente se esgotou. Já não havia mais conflitos de peso que se interpusessem entre eles, a não ser a obsessão implacável – e algo exagerado – do vilão Vítor (Daniel de Oliveira, sob medida no papel) em manter a esposa ao seu lado. O enredo caiu então em seu pior momento: a história central se arrastava em círculos, e os núcleos paralelos pouco tinham a acrescentar a esse eixo.

A exceção, muito bem vinda, foi o drama de Nanda – Júlia Dalavia, na performance mais marcante e inspirada de sua carreira até agora. Irmã mais nova da heroína, a personagem contraiu Aids como consequência de seu comportamento promíscuo, em uma época em que a doença era sinônimo de sentença de morte. Não só comoveu, como roubou todas as atenções durante as últimas semanas de “Os Dias Eram Assim”.

Seria injustiça fechar esta coluna, entre tantas críticas, sem elogiar a direção artística de Carlos Araújo – equilibrada e atenta, conduziu muito bem os momentos-chave da história, inclusive no que dizia respeito às cenas de tortura na primeira fase. Diversos nomes do elenco também se destacaram, como Cássia Kiss (Vera), Letícia Spiller (Monique), Marco Ricca (Amaral), Maria Casadevall (Rimena), Gabriel Leone (Gustavo) e Antonio Calloni (Arnaldo). E, claro, os mais entusiasmados aplausos para a marcante trilha sonora, escolhida a dedo e muito bem executada ao longo dos episódios.

“Os Dias Eram Assim” sai do ar com gosto de ter ficado devendo. A história, que parecia se enunciar política, acabou enveredando pelo novelão clássico e nem mesmo essa proposta tão mais simples conseguiu segurar. Por ser a primeira produção às 11 da noite classificada como “supersérie”, faltou, definitivamente, fazer jus a essa nomenclatura




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