sábado, 1 de julho de 2017

As pessoas não têm ideia de que a escravidão existe, diz Wagner Moura




Como um menino crescendo no empobrecido estado da Bahia, o ator Wagner Moura e estrela da série de televisão 'Narcos', viu a escravidão ao seu redor, mas como muitas pessoas, ele acreditava ser normal.

"Eu cresci testemunhando muitas pessoas trabalhando em condições horríveis e não sendo pagas, trabalhando por comida ou um lugar para dormir. Eu cresci pensando que esse tipo de coisa era normal", disse Moura à Fundação Thomson Reuters.

"Eu lembro de meninas, de 11, 12 anos, principalmente meninas negras. Elas passavam suas vidas trabalhando em casas e algumas não iam nem à escola. Então basicamente elas eram escravas."

Foi quando Moura, com 17 anos, foi à capital Salvador que ele percebeu que o que havia testemunhado quando criança estava errado.

"Foi um choque para mim porque eu realmente acreditava que meio que era o que era... foi quando eu percebi que as pessoas deviam ser pagas pelo seu trabalho", disse Moura.

O Brasil reconheceu o uso de trabalho escravo em sua economia --a maior da América Latina-- em 1995.

Mas mais de duas décadas depois, muitas pessoas no Brasil, e ao redor do mundo, ainda não sabem que a escravidão existe.

"Eu tenho falado com as pessoas e elas dizem que não tinham ideia de que isso estava acontecendo. Trabalho escravo --do que você está falando?", disse Moura, 41.

Globalmente existem 21 milhões de pessoas em trabalhos forçados, incluindo crianças, em um negócio que vale 150 bilhões de dólares por ano, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho.

No Brasil, o trabalho forçado é definido como uma forma de escravidão. Isso inclui trabalho em condições degradantes e longas horas que representam um risco à saúde do trabalhador e ou a servidão por dívida.

Ativistas, no entanto, temem que uma lei atualmente sendo debatida por deputados brasileiros, que busca limitar a definição do país de trabalho escravo, incluindo o que constitui condições de trabalho degradante, possa significar colocar mais trabalhadores sob o risco da escravidão.

"Mudanças na nossa definição de trabalho escravo, eu acho que é muito possível que aconteça", disse Moura.






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